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PLANTANDO HOJE PARA COLHER AMANHÃ

Estava um dia quente! Dona Margarida podia sentir a brisa morna e densa acarinhando suas faces coradas e repletas de sulcos, frutos das expressões, impressões, visões e sensações que acumulara no decorrer de sua vida. Algumas rugas eram vincos mais profundos e grandes e outras tantas, menores, variavam em extensão, forma e fundura, mas todas juntas, davam-lhe aquela aparência de senhora bem vivida e já perto dos seus 80 anos.


Ela então, seduzida por aquela tarde convidativa e acolhedora, resolveu caminhar até a sua varanda predileta, que ficava na lateral direita da sua casa ampla, térrea e repleta de janelas azuis que contrastavam com a brancura das paredes e ali, de frente ao lindo pomar repleto de flores e frutos, recostou-se em sua confortável cadeira de balanço com quem dançava quase todas as tardes.


A visão era panorâmica e merecia um cartão postal, pensou Dona Margarida. Ao fundo, com o sol já em intenção de recolher-se, o céu dividia-se em coloridas camadas. As poucas nuvens que se via eram fofas e com formatos interessantes e feito algodão doce em porta de colégio, enchiam nossos olhos nos tentando a apertá-las. À frente, desfilavam todas aquelas árvores diversas, com suas roupagens, chapéus e adornos diferentes, cada qual, independentemente de tamanho e idade, carregando com força e orgulho seus filhos, seus frutos, que eram os responsáveis pela cor e alegria que salpicavam as faces de suas copas.


Esta visão maravilhosa a remeteu para um dia distante do passado, porém muito feliz...


Era uma manhã clara de primavera. Alberto, seu marido, veio fazendo festa já no café da manhã, sugerindo aos filhos que fossem todos para um gostoso piquenique naquele mesmo lugar. O pomar era ainda um jardim de infância, com suas árvores pequeninas e que se não fosse uma árvore avó que havia ali, nem sombra teríamos tido para acomodar a cesta de quitutes. Naquele dia, lembro-me que plantamos muitas mudas de árvores novas em meio a muita brincadeira e gostosas gargalhadas. Posso ainda ouvi-las ecoando no ar. Sonhávamos juntos com a formosura que um dia se tornaria aquele pomar. Dizíamos que seriam tantas frutas, mas tantas frutas, que não precisaríamos comprá-las mais e nem aqueles que ali trabalhavam e residiam conosco no sítio. Seria tanta fruta que ainda poderíamos distribuí-las aos necessitados, tamanha abundância! E foi o que realmente acontecera anos mais tarde...


Dona Margarida então, sentada em sua confortável cadeira na varanda preferida, foi voltando de seu passeio ao passado trazendo ainda nos lábios esticados, um amplo sorriso! Suas bochechas estavam ainda mais coradas que de costume e nos olhos, trazia o brilho excitado e feliz daquelas crianças que plantavam árvores e faziam piquenique com seus pais em muita algazarra. Dando-se por si, assustou-se quando percebeu que em sua viagem esquecera-se do tempo e a noite já caía longe. As mariposas faziam festa em torno das lâmpadas e Dona Margarida concluiu:



- A minha memória é o meu tesouro! A mente ativa e a memória de um homem serão a maior e talvez única riqueza a lhe sustentar e alimentar no futuro, pois um homem que não tem lembranças, recordações, estará oco em sua velhice. Por isso, o melhor que fazemos é colecionar bons momentos e semear muitas alegrias no decorrer de nossas vidas, para que lá na frente, no momento da colheita, o nosso acervo da memória esteja vasto e repleto de boas recordações para nortear de felicidade o restante de nossos dias.


Fim

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